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A CEO da consultoria Galunion e o presidente executivo da Abrasel deram início à série de encontros virtuais do projeto PEGN Labs no Rio Gastronomia

Não é exagero dizer que o setor de bares e restaurantes foi um dos mais afetados pela pandemia em curso. Não bastassem as restrições impostas ao segmento e os meses de portas fechadas, surgiram mudanças comportamentais que tornam o futuro ainda muito incerto para os empreendedores do ramo – mesmo quando a Covid-19 estiver enfim debelada. Das tendências notadas do início da quarentena até aqui, o que veio para ficar? Como se adaptar e voltar a crescer daqui para a frente? Quais oportunidades de negócio vêm por aí?

Foi para responder a perguntas como essas que convidamos Simone Galante, CEO da consultoria Galunion, e Paulo Solmucci, presidente executivo da Abrasel, para dar início à série de encontros virtuais do projeto PEGN Labs, que, neste ciclo, faz parte do Rio Gastronomia. A conversa da dupla ocorreu hoje, com intermediação do repórter Paulo Gratão, e foi transmitida pelas redes sociais da PEGN.

Simone deu início à conversa lembrando que se trata de um setor no qual atentar para o comportamento dos consumidores é essencial. “Na primeira pesquisa que realizamos na quarentena, constatamos que eles passaram a se preocupar com saúde e segurança na hora de se alimentar”, disse, emendando que ainda não se sabia ao certo como o novo coronavírus é transmitido. Uma tendência diagnosticada naquele momento: “Restaurantes que fizeram ações solidárias conseguiram se aproximar dos consumidores”. Outra: “Passamos a cozinhar mais em casa, o que deve se manter”.

Instado a comentar a explosão, motivada pelo período de isolamento, das dark kitchens, do delivery e do take away, Solmucci afirmou que ela se deve, sobretudo, ao desejo dos consumidores. “Os empresários não eram contrários à digitalização de seus negócios, mas o comportamento da clientela, em geral, não justificava um movimento nesse sentido”, afirmou, lembrando que não foi fácil mudar de estratégia. “Ninguém estava preparado para, de uma hora para outra, encontrar tantos motoqueiros para delivery e achar plataformas para gerir os pedidos.”

Pelas contas do presidente executivo da Abrasel, 30% dos negócios do setor não sobreviveram à pandemia. Outro dado alarmante: 53% dos sobreviventes ainda amargam prejuízo. Considerando só o estado de São Paulo, o percentual é ainda mais drástico: 65% seguem no vermelho. O delivery não bastou para manter as contas no azul? “Achar que o delivery era solução foi um grande erro, foi só um meio para se manter no mercado”, respondeu Solmucci.

Para ele, os principais pilares que sustentam o segmento são a renda e o emprego da população como um todo. “Quando os dois caem, o setor sofre”, resumiu. Em seguida, lembrou que restaurantes situados em regiões majoritariamente empresariais, como o centro do Rio de Janeiro, ou as avenidas Faria Lima e Paulista, em São Paulo, foram os que mais sofreram. “O home office tirou os únicos clientes desses estabelecimentos”, disse. Uma rara boa notícia: segundo ele, os empreendimentos gastronômicos localizados em regiões periféricas do país que faturam, em média, menos de R$ 10 mil por mês, passaram a ganhar 30% a mais com a pandemia. “Reflexo do auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal”, explicou.

Ao que Gratão perguntou: “Para restaurantes de rede o impacto foi diferente”? A resposta de Simone: “Para os empreendimentos pequenos o desafio foi dobrado. Redes têm muito mais facilidades em aderir ao delivery e ao take-away e integrar todos os dados, para agilizar as entregas e facilitar a vida das cozinhas”, comentou. “Por outro lado, os pequenos estavam acostumados a olhar no olho dos consumidores. Um sorriso de satisfação equivalia a um feedback. Com a dependência dos canais digitais a complexidade é muito maior, não é fácil se aproximar do consumidor.” Segundo ela, porém, é um desafio do qual não dá mais para fugir.

Solmucci, em seguida, afirmou que nos Estados Unidos, por exemplo, concluiu-se que alguns setores, como o dos restaurantes e bares, sofreu bem mais que outros com a pandemia. “A conta paga por eles está sendo maior e sociedades maduras estão discutindo apoios mais específicos”, disse. “Os empresários do ramo chegam a dezembro em uma situação muito difícil, com contas em atraso, prazos de empréstimos recentes começando a vencer e donos de imóveis já decididos a cobrar o mesmo que antes da pandemia.”

No fim do encontro, Simone disse que agora o principal desafio para os empresários do ramo é fugir do esquecimento. “No universo digital os restaurantes competem com diversas outras atrações e têm de ser lembrados, desejados”, disse. “É preciso investir para manter as conexões vivas.” E disse mais: “Fisicamente, no entanto, os estabelecimentos vão continuar a despertar o interesse de passantes. A satisfação que os consumidores têm ao ir a um restaurante é muito maior que a de pedir um delivery”. Ao que o Solmucci concluiu: “Nós continuamos querendo ser cuidados por gente, e a privilegiar o convívio. É nas mesas dos bares e dos restaurantes que vamos voltar a tocar a vida, com alegria”.

Clique aqui para assistir a conversa na íntegra.

Simone Galante é especialista na Rede Abrasel, plataforma profissional de conexão do setor de alimentação fora do lar, e por lá publica sobre tendências de mercado e ajuda a responder as dúvidas de quem é do setor. Participe: https://redeabrasel.abrasel.com.br/marketingevendas

Fonte: Com informações do PEGN

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