Formada em gastronomia, Karin Saotome morou na França em 2011 e, ao retornar, em 2012, começou a analisar a onda de food trucks que surgia na Europa. “Viajei para Londres e voltei para o Brasil com a ideia de montar um negócio. Eu pensava em vender waffles, pois já fazia alguns muito elogiados, e decidi investir em uma receita minha de waffles salgados.” Karin aplicou cerca de R$ 200 mil para colocar o food truck nas ruas, em 2015. Segundo ela, a maior dificuldade foi tirar licença, uma vez que em São José dos Campos, onde mora, ainda não há lei regulamentando. Conseguido o ponto, hoje ela também participa de eventos no Vale do Paraíba e em São Paulo.

“O bom ponto é aquele em que há bastante movimento”, diz Karin, que sempre acreditou que vender waffles no food truck seria um bom negócio. Ela diz que o produto tem boa aceitação e clientes fiéis, que acompanham a cozinha em diferentes lugares e eventos. Apesar de ter experiência em culinária, Karin conta que precisou aprender a tocar o negócio. “Trabalhei em restaurantes na Europa, fui chef de cozinha, mas a dinâmica do food truck é muito diferente.” Ela ainda não teve retorno do valor investido, mas garante que o negócio vai bem, tanto que já pensa em abrir uma loja física. “Tenho dois funcionários e já avalio fazer mais eventos e também abrir uma loja de rua”, diz.

Como Karin, muitas pessoas, principalmente jovens, passaram a ver nos food trucks uma oportunidade para empreender. Segundo a consultora do Sebrae-SP Karyna Muniz, ainda não é possível afirmar que o food truck seja um modismo ou um nicho bem-sucedido, porque existe um ciclo para mortalidade das empresas e ainda não se completaram dois anos de operação formal na cidade de São Paulo. Contudo, estudos de tendências de mercado e consumo apontam sucesso para modelos de negócios que ofertam conveniência e praticidade no ato de comer fora de casa, em grandes centros urbanos. No entanto, Karyna chama a atenção: o sucesso de qualquer empreendimento depende de um plano de negócios for bem elaborado.

Segundo Karyna, o apelo de oferecer comida gourmet está em baixa. “O consumidor não é desatento e percebeu que estava pagando caro por um produto ‘gourmetizado’”, afirma. “Uma boa comida de barraquinha, bolo com café, por exemplo, pode vender muito mais que um produto gourmet.” Por isso, ela insiste: vale a importância do plano de negócios e a análise de demanda e oferta para o público alvo. “Sempre haverá clientes, o importante é ter produto e serviços com qualidade.

”Esse tipo de negócio não tem um registro específico no Cadastro Nacional de Atividade Empresarial (CNAE), são enquadrados em “comércio de alimentos e bebidas” ou “bares e restaurantes com ou sem serviço completo”, o que dificulta a quantificação do tamanho do mercado, bem como a mortalidade ou o crescimento. “O empreendedor deve considerar que vai abrir um negócio de alimentação, e isso requer que ele se prepare para um profundo estudo e entendimento de como se dá o processo operacional de produção de alimentos para consumo imediato”, diz Karyna.

Apostando na venda de comida de rua em uma cozinha móvel, o sócio do La Polenta, Alex Righi, estreou em setembro de 2014 no Butantan Food Park. Ainda sem nome, mas tendo como carro chefe o ragu com polenta, ele iniciou a operação em uma tenda. Com o caminhão pronto, continuou no parque, participou de eventos gastronômicos, passou uma temporada em Campos de Jordão e em setembro de 2015 foi para o espaço Piknik. “A mobilidade é a grande vantagem, o caminhão é muito prático, é itinerante. Não é mais a moda do truck, é um complemento para a alimentação nas capitais”, diz.

Por sua vez, a logística é o maior desafio da cozinha móvel. “Precisa ter tudo dentro do truck, estar tudo em ordem, utensílios, troco, colheres. Servir polenta sem colher, por exemplo, não dá”, brinca. Righi conta que inicialmente queria oferecer ragu com arroz e feijão, mas avaliou a praticidade necessária da comida servida na rua. “A polenta veio pela simplicidade da receita.” Sem poder enumerar quantos pratos são servidos diariamente, segundo ele, pode variar de 15 a 400, dependendo do dia, evento, praça, quais e quantos trucks estão no local, ele acredita na prosperidade do negócio.

“Temos uma sede, onde funciona o escritório e cozinha na Chácara Santo Antonio e depois do carnaval abriremos nosso restaurante”, diz. Para Righi este será um “ano bom”, no caminho da consolidação.

Caminhão para instalar cozinha pode custar até R$ 220 mi

O empreendedor também deverá se preocupar com o caminhão que servirá de cozinha móvel para o seu negócio. Segundo a Truckvan, empresa que personaliza caminhões, um food truck completo custa entre R$ 190 mil e R$ 220 mil, incluindo instalação de equipamentos de cozinha, parte elétrica, hidráulica e gás. O restaurante móvel pode ser um trailer, um furgão ou um baú sobre chassi.

Fonte: Estadão